Com a crise, União tem cada vez mais fornecedores
Autor(es): Henrique Gomes Batista
O Globo - 09/11/2008
Como tornou-se bom pagador, governo já é atendido por 303 mil empresas, que têm negócios de R$18 bilhões
Com a atual crise financeira, as empresas estão buscando garantir parte de seu faturamento nas licitações públicas. Como há muitos anos o governo se tornou um bom pagador - não existem mais os históricos atrasos de meses para a liquidação de uma compra -, é cada vez maior o número de firmas que estão olhando para um nicho que vai movimentar, apenas no governo federal, R$18 bilhões em 2008. As oportunidades, porém, estão cada vez mais concorridas: o total de fornecedores da União ultrapassou 300 mil este ano pela primeira vez.
Em setembro, eram 303.949 firmas vendendo ao governo federal, número 6,8% superior ao de dezembro de 2007 e 41,8% ao registrado em 2004.
- Muita gente estava surfando na boa onda da economia: quando você está em um mercado comprador tende a negligenciar a busca por novos negócios. Mas a coisa mudou com a crise, aumentou a busca por diversificação - afirmou Bruno Quick, gerente de Políticas Públicas do Sebrae Nacional.
Segundo ele, com o pregão eletrônico, está mais fácil acompanhar da própria loja ou fábrica os processos de aquisição dos órgãos e empresas públicos. Quick afirma que alguns especialistas indicam que, este ano, R$300 bilhões serão comprados por meio de pregões, licitações e concorrências. Esse valor inclui obras, como a construção de metrôs e plataformas de petróleo. Apenas as estatais federais, segundo ele, movimentam R$90 bilhões ao ano.
- Em 2006, apenas o governo federal comprou R$2 bilhões das micro e pequenas. A expectativa é que feche 2008 com R$11 bilhões, um aumento de 550% - disse.
Nesse cenário, aumenta especialmente a participação das micro e pequenas empresas, que enfrentam menos burocracia depois da aprovação da Lei Geral que rege o setor, em julho de 2007.
Para compras de até R$80 mil, o mercado é só delas. A entrega de documentação completa é exigida para esse segmento apenas se elas tiverem o melhor preço. E, caso seu preço seja até 5% superior ao de uma grande firma, sua proposta é considerada vencedora.
- Todo mundo sabe que, mesmo com crise, o governo não pode deixar hospitais sem medicamento, escolas sem merenda, órgãos de governo sem papel - diz Sandra Botana, diretora da empresa especializada RHS Licitação.