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Entrevista O Globo com Sandra Botana
O GLOBO - 10/11/2008
 

Sistema de leilões tem muito menos burocracia

Sandra Botana, diretora da empresa especializada RHS Licitação, já sente o aumento de procura por treinamento e informações sobre compras públicas. Ela acredita que esse movimento é saudável para as empresas, que acabam ficando com um perfil melhor de negócio, apoiado na diversificação.

Ela informa que o empresário interessado no setor deve iniciar aprendendo o sistema das compras públicas, principalmente os pregões eletrônicos. Eles funcionam como "bolsas de apostas" invertidas, onde as melhores propostas saem vencedoras. A especialista lembra que tudo é simples, sem grande burocracia. No site do Ministério do Planejamento (www.planejamento.gov.br), há o link "Licitações", no qual podem ser encontradas várias informações.

- A primeira coisa é se cadastrar nos principais sites de pregão do Brasil: o Comprasnet, do governo federal, o BEC, do governo estadual paulista, e o do Banco do Brasil, utilizado por muitas prefeituras - disse Sandra.

Ter organização é um requisito importante

A empresária lembra que sua companhia já está treinando, por ano, 20 mil interessados em licitações. A maior parte deles chega ainda temeroso da credibilidade do sistema e do pagamento do governo. Mas ela lembra que isso é coisa do passado, pois hoje há muito mais transparência.

- Para aproveitar esse mercado é preciso ter uma empresa muito organizada, com boa contabilidade e impostos em dia - afirmou Alexandre Nunes Rosa, sócio da MRS Estudos Ambientais, sediada em Brasília.

Sua empresa, que hoje tem 50% do faturamento oriundos de compras públicas, utiliza os contratos com o governo como forma de manter estabilidade no mercado. Ele lembra que, por tratar de licenciamento ambiental, muitas empresas privadas acabam engavetando projetos, o que reforça a necessidade de ter uma boa fatia de negócios com o Estado.

- Só que, para não sair no prejuízo, é preciso ter um bom capital de giro, pois o governo paga em dia, mas o dia dele é 30 dias após a primeira entrega de relatório do contrato. Ou seja, é necessário fôlego, pois muitas vezes o recebimento fica para até 60 dias após o início do contrato - disse Nunes Rosa.

O gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, lembra que as licitações sempre são boas oportunidades, mas alerta que as empresas precisam ter muito claro que é preciso ter estrutura para o negócio, inclusive com uma boa planilha de custos, para evitar ofertas de preços não compensadores.


 
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